A violência nas ruas de França e os nossos olhos fechados
Os números falam por si e ainda são provisórios: 1023 pessoas detidas, 312 feridos, dos quais 7 em estado grave, 27 membros das forças de segurança feridos, 1127 focos de incêndio e 10 bombeiros agredidos. E também duas mortes: as de um jovem de 17 anos em Dax e de outro de 20 em Paris. Este não é o balanço de uma greve geral ou de um movimento insurrecional – este é o balanço de uma noite de “festejos” pela vitória do Paris Saint-Germain na final da Liga dos Campeões.
Não foi a primeira vez que sucedeu, nem as autoridades podem dizer que foram apanhadas desprevenidas: há um ano, aquando do primeiro título europeu do PSG, aconteceu o mesmo. Como acontece todos os anos pelo 14 de Julho (a festa nacional francesa), na madrugada de Ano Novo e agora também na noite de Halloween. A violência desregrada e gratuita já quase faz parte do quotidiano francês, até porque haver carros incendiados a cada fim-de-semana tornou-se tão habitual que já não é notícia.
É certo que França é um país com uma velha tradição de violência política, da Revolução de 1789 aos excessos de Maio de 1968, sem esquecer a Comuna em 1871, só para citar alguns exemplos. Mas ao menos era violência política – esta é apenas violência gratuita, sem um objecto definido. E esta tornou-se muito mais presente nas ruas desde que os grandes clubes franceses, como o PSG
à cabeça, trataram de prevenir o hooliganismo.
Quem vem para a rua, quem invade os centros de grandes cidades como Paris ou quem se dedica a destruir as infraestruturas dos bairros onde habita são sobretudo jovens – às vezes mesmo muito jovens – sem........
