A imigração é um problema que veio para ficar. Habituem-se
Há leis que são aprovadas e que não valem o papel em que estão impressas e há outras que têm efeitos imediatos. O que se passou nos últimos anos em Portugal no domínio das políticas de imigração é um bom exemplo disso: a liberalização das entradas em 2017, com a criação da “manifestação de interesse” generalizada, abriu de imediato as portas a centenas de milhares de entradas (a população estrangeira residente passou de 400 mil em 2016 para 1,6 milhões em 2025); já a alteração dessa lei em 2024 teve também efeitos imediatos, com a entrada de estrangeiros a cair de mais de 300 mil em 2023 para apenas 70 mil em 2025.
Estes números não são apenas estatísticas – são o sinal de que o país mudou e de como as políticas de imigração se tornaram tão centrais como as políticas de saúde ou habitação. Por isso mesmo impressiona como o tema continua a ser debatido de forma tão ligeira e tão estereotipada – e também tão pouco informada, até por nos faltarem imensos dados estatísticos. E se de um lado nos podem chocar simplificações do género “Portugal não é o Bangladesh”, do outro lado também nos deveria chocar a ideia de que não receber todos de braços abertos é pouco menos do que aderir a uma narrativa “desumana e impiedosa” (Paulo Muacho, do Livre, sexta-feira passada no Parlamento). Tal como também não deixa de impressionar a conversão da esquerda à ideia de que a economia justifica tudo, argumentando que sem imigração não haverá crescimento económico (Mário Centeno na CNN).
Feliz ou infelizmente o mundo não se pára com as mãos pelo que, se as leis podem condicionar os fluxos migratórios, há dinâmicas que não se invertem facilmente, e há duas dinâmicas que, em Portugal e na Europa, vieram para ficar: uma é a do inverno demográfico, a outra é a da perda de influência económica. Esta última é menos conhecida, mas é brutal: em 1980, os 27 Estados que hoje integram a União Europeia representavam quase 29% da economia global, hoje só representam uns 17,5% e estima-se que em 2050 já tenha caído abaixo dos 10%.
Se pensarmos que, nessa altura,........
