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Quis fact-chekodiet ipsos fact-chekodes?

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15.01.2025

Mark Zuckerberg anunciou o fim do programa de fact-check no Facebook. A partir de agora, a rede social vai deixar de utilizar empresas de verificação de factos que decidem que informação é verdadeira e, como tal, digna de ser publicada na rede social. Este anúncio foi recebido por algumas pessoas com um misto de terror, indignação, choro, ranger de dentes e corridas em pelota pela via pública, enquanto se gritava “Fact-check é vida! Fact-check é amor!”(dado não verificado, admito, mas com uma probabilidade muito elevada de ter acontecido). Compreendo a frustração de quem teme que utilizadores do Facebook possam ser agora confrontados com informação não filtrada. Têm a minha solidariedade. Ainda recentemente passei por situação similar, quando tive de efectuar um fact-check muito sensível. No mês passado o meu filho chegou a casa a chorar: “O meu amigo João diz que o Pai Natal não existe!”, e eu tive de lhe explicar que isso é desinformação, o João é um perigoso extremista e que o Pai Natal não só é real como traz presentes aos meninos desde que arrumem o quarto, comam a sopa toda e não gastem a bateria do meu telefone a jogar Brawl Stars.

Daí que, em homenagem aos órfãos do fact-check, vou agora realizar fact-check a textos que lamentam o fim do fact-check. Escolhi para o efeito o editorial de Sónia Sapage, directora-adjunta do Público, e a crónica de Pedro Adão e Silva, ex-ministro da Cultura, no mesmo jornal.

Na passada 4.ª feira, Sónia Sapage começa “Em nome da liberdade de expressão” a dizer: “Foi interrompido o caminho que estava a ser feito no sentido de expurgar aquela rede social de informação falsa, ou propositadamente deturpada, através do trabalho desenvolvido por organizações credíveis”.

Fact-check: esta informação é duplamente errada. Em primeiro lugar, a informação expurgada nem sempre era falsa. O uso do verbo “expurgar” já o indicia. É o que a Igreja Católica fazia com as doutrinas perniciosas. O objectivo não era tirar o que era falso, mas sim purificar do que é inconveniente. Mais do que fact-check, trata-se de narrative-check. Por exemplo, em Fevereiro de 2020, no início da........

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