Calimontenegro, o discurso que não tem Pontal por onde pegar
Luís Montenegro, no encerramento da famosa Festa do Pontal, queixou-se de ser alvo de censura: “O país tem de ter coragem de falar sobre as coisas que estamos a fazer mais e falar menos das coisas que, porventura, estamos a fazer menos. Não podemos viver uma espécie de censura moderna, em que as pessoas só sabem e só debatem os assuntos mais polémicos, os pequenos episódios”
À primeira vista, é estranho ouvir o Primeiro-Ministro de um país onde existiu censura que condicionava o trabalho dos jornalistas, referir-se ao jornalismo livre e incómodo como “censura”. É mais ou menos como o Presidente dos EUA referir-se à turbulência que passou numa viagem no Air Force One como “o novo 11 de Setembro”. (O paralelismo não é perfeito, eu sei. Como esta censura moderna é praticada agora pelas vítimas da censura antiga, para a analogia ser correcta os prédios é que tinham de se atirar aos aviões).
Não deixa de ser bizarro que a censura moderna se pareça tanto com a antiga liberdade. Soa a velha tolice. Que alguns consideram genialidade contemporânea. Só se a semelhança estiver no lápis azul. A censura de antanho usava-o para cortar o que não interessa ao Governo, a moderna usa-o para sublinhar. É parecido, é.
Porém, uma segunda análise ao discurso leva-me a concluir que se trata de um estratagema inteligente de Montenegro. Sobretudo, quando afirma que “o país tem de ter coragem”. Vê-se que conhece os seus concidadãos. Como bom português, afino quando me chamam cobarde. Sou como o Marty McFly do........
