Perdoar é mesmo esquecer
Há temas que exigem algum pensamento verdadeiro. Mesmo verdadeiro. Sexta-Feira Santa é um dia propício para esse pensamento. Confronta-nos com sofrimento, injustiça e, bem assim, a possibilidade, quase escandalosa, do perdão.
Pensa nisto. Óbvio, se estiveres para aí virado: perdoar a sério não é um arranjo diplomático e de conveniência do coração. Não é um acordo superficial. Não é dizer que se perdoa enquanto se guarda, intacto, o inventário da ofensa. Isso é outra coisa: contenção, prudência, cálculo, civilidade quiçá. Perdão verdadeiro é mais difícil. E mais raro. Implica mesmo esquecer.
É necessário lavar o coração, sim. Purificar a memória. Porque quem continua a revisitar a ferida, quem a conserva viva, quem a convoca à primeira ocasião, não perdoou. Apenas tornou o ressentimento mais sofisticado. E isso não é para pessoas que se dizem de pessoas (por mais banal e estereotipada que esta frase soe; a mim, por exemplo, soa-me a jargão de moda que nada diz; nem tão pouco caracteriza quem se acha, ao desperdiçar........
