Se Teerão tremer ou colapsar
No momento em que escrevo, a hipótese de uma escalada militar entre o Irão e os Estados Unidos é um cenário plausível e não apenas o delírio do frenesim noticioso. Trata-se de um cenário carregado de consequências que não respeitam fronteiras.
O caminho pode ser curto e previsível. Ou Washington decide apertar o torniquete, largar umas bombas e forçar um acordo que, do ponto de vista dos aiatolas, equivale a capitulação; ou responde a um acto “preventivo” do regime iraniano, que tende demasiadas vezes a confundir sobrevivência com provocação e martírio com política externa.
Uma convulsão interna no Irão, por intriga palaciana, colapso económico, revolta popular ou guerra, não será um episódio doméstico. O Irão é um nó relevante de uma rede autoritária onde se cruzam a Rússia, a China e outros regimes que descobriram as vantagens da cooperação entre autocracias. Se esse nó se desfaz, a rede afrouxa. E quando as redes afrouxam, alguém cai.
Convém não reduzir a análise ao habitual catálogo do programa nuclear, mísseis balísticos, drones, milícias subsidiárias. Tudo isso existe e preocupa. Mas o essencial é que os sistemas autoritários vivem da aparência de inevitabilidade. Apresentam-se como destino. Endurecem, não dobram. E quando não dobram, partem. Uma fissura séria em Teerão não........
