Que quer Trump do Irão?
Face aos últimos movimentos que acercam capacidades militares americanas do Irão, e às notícias sobre a repressão interna, a pergunta impõe-se: o que pretendem, afinal, os Estados Unidos do Irão?
A resposta mais imediata, a avaliar pelas opiniões mediáticas vem carregada de clichés morais. Democratizar, libertar, derrubar, refazer. Mas infelizmente a actual política internacional dos EUA não é minimamente influenciada por esses factores, a não ser como pretexto legitimador.
Os EUA não querem sequer conquistar o Irão e “apoderar-se do petróleo”, como afirma uma certa rua não menos naïve. Também não querem ocupá-lo, nem refazê-lo à sua imagem, e muito menos, ao contrário do que se repete com insistência, “mudar o regime.
O que Washington pretende é bastante simples: um Irão que não tenha armas nucleares, que não funcione como potência revolucionária armada a agir através de intermediários, que não chantageie o mundo através do Estreito de Ormuz e que se comporte, em termos estratégicos, como um actor racional, mesmo que continue a falar a linguagem da revolução, se lhe apetecer.
O nuclear é o ponto absoluto. Não por razões morais, mas por cálculo frio. Um Irão nuclear desencadearia uma cascata de proliferação no Médio Oriente (Arábia Saudita, Turquia, Egipto, etc.), reduziria drasticamente a liberdade de acção americana e israelita e consolidaria de forma irreversível o poder da Guarda Revolucionária. Esta linha vermelha é estrutural e na linha das anteriores Administrações americanas.
O segundo ponto é o uso sistemático de proxies. Hezbollah, milícias xiitas no Iraque e na Síria, Houthis no Iémen. São estes actores que permitem a Teerão atacar rivais regionais, ameaçar rotas marítimas e pressionar Israel sem pagar o preço directo dessas acções. É a chamada “negação plausível”, uma fórmula engenhosa para projectar poder sem assumir responsabilidade. Washington não exige que o Irão deixe de existir como potência regional. Exige que deixe de o ser através de milícias armadas fora de qualquer controlo estatal reconhecível.
O terceiro........
