Os EUA do lado do Hezbollah?
Na passada segunda-feira, o Irão esticou a corda. Não com a delicadeza habitual dos aiatolas, feita de ameaças, chantagens e promessas de apocalipse. Esticou-a de modo ostensivo, suspendendo os contactos indirectos com os EUA, ameaçando alargar a guerra, acenando com estreitos, frentes, mísseis e desgraças variadas, e dizendo que qualquer ataque israelita aos subúrbios de Beirute onde o Hezbollah acoita a direcção política, a musculatura militar e os zeladores iranianos da empresa, seria tratado como violação da trégua em todos os teatros. Em português corrente, se Israel tocar no nosso braço libanês, nós fazemos birra mundial e expelimos mísseis.
Foi um momento definidor porque obrigou os EUA a fazer escolhas e mostrar em que pé estão as coisas.
A situação era clara: ou os EUA aceitavam a chantagem iraniana e pressionavam Israel a suspender a ofensiva contra o Hezbollah, ou ignoravam a ameaça e colocavam Teerão perante a alternativa de recolher as garras ou avançar para a guerra que dizia querer.
A jogada iraniana é, em si, reveladora. Teerão não arriscaria tanto por um ornamento. Se a Guarda Revolucionária decidiu que valia a pena travar as negociações, e ameaçar americanos e israelitas, para salvar o Hezbollah de uma pancada israelita em Beirute, é porque o grupo terrorista não é um acessório da sua política externa. É uma das suas artérias. É o punhal colocado no pescoço de Israel, a base avançada no Mediterrâneo, um seguro de vida estratégico do regime e a prova material de que o Líbano deixou há muito de ser um Estado soberano para se transformar numa sala arrendada pela “teocracia” militar iraniana.
Perante isto, os EUA cederam.
Segundo os relatos disponíveis, Trump falou com Netanyahu, anunciou contactos indirectos com o Hezbollah por intermediários, e obrigou Israel a suspender uma operação prevista contra Beirute. Traduzido da língua diplomática para a língua dos adultos, a organização terrorista disparou, ameaçou, escondeu-se atrás de civis, invocou o patrão iraniano e recebeu como prémio a protecção americana contra os israelitas.
É possível que isto seja apenas uma leitura injusta. É possível que Trump tenha na manga um acordo de uma dureza tal que torne tudo........
