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O Irão e as birras transatlânticas

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06.04.2026

O desfecho do conflito no Irão depende, em larga medida, da vontade de Trump. Da vontade declarada de manhã, da que pode ser desmentida à tarde, da vontade insinuada aos jornalistas, da que pode servir apenas para atordoar amigos e inimigos, e da vontade real que habita a mente de Trump e que todos tentam adivinhar como quem lê sinais nas borras do café.

Perceber o que lhe vai na cabeça é um esforço ingrato. Trump contradiz-se com desenvoltura, fala de forma a permitir múltiplas interpretações e parece apreciar o prazer de manter todas as opções em aberto. Apesar disso, ou até por causa disso, é óbvio que tem razões sérias para querer pôr termo aos combates. Os preços da energia sobem, o Estreito de Ormuz permanece largamente constrangido, a guerra desgasta a economia, e a opinião pública americana não aprecia campanhas longas, sobretudo quando o combustível encarece e a utilidade da empreitada, que é real, deixa de caber numa frase de comício.

Parece pois que Trump está disposto a encerrar a campanha militar contra o Irão, mesmo que Ormuz não reabra entretanto. A sua lógica é simples: uma missão destinada a garantir a reabertura da via marítima poderia prolongar a guerra para além da janela temporal que definiu para si próprio. Trump quer poder dizer que bateu no Irão, o enfraqueceu, impôs condições e saiu antes de a guerra lhe cobrar demasiado. Há aqui cálculo, instinto, política doméstica. E há também a possibilidade de ser mais uma manobra de engano, já que os sinais de retirada podem servir apenas para fazer Teerão baixar a guarda antes de um novo golpe. Com Trump, o recuo anunciado pode ser verdadeiro ou apenas o passo atrás do pugilista para ganhar balanço para outro soco. A indefinição é, para o presidente americano, uma arma.

Israel sabe isso melhor do que ninguém. E é por essa razão que, enquanto Trump mede a duração da guerra pelo relógio da política interna, Jerusalém mede-a pelo tempo necessário para reduzir ao máximo a futura capacidade de ameaça iraniana. Netanyahu disse apenas que a campanha já vai a mais de metade. É uma formulação prudente que não fecha a porta à continuação, não promete o fim, e preserva a liberdade de manobra. Entretanto vai anunciando que já destruiu grande parte dos lançadores de mísseis balísticos iranianos, boa parte dos sistemas de defesa antiaérea e praticamente todos os alvos militares críticos definidos no início da guerra, entrando agora numa “fase de conclusão” que inclui ataques a alvos económicos.

 Conclusão de quê, exactamente? Degradar o aparelho militar convencional iraniano é uma coisa. Impedir a........

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