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O discurso de Marco Rubio e as escolhas europeias

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16.02.2026

Há discursos que não são apenas um conjunto de palavras pronunciadas diante de uma audiência. Discursos que revelam aquilo que uma época pensa, aquilo que receia e, sobretudo, aquilo que já não pode continuar a ignorar. A recente Conferência de Segurança de Munique foi um desses momentos. Não porque Marco Rubio tenha dito algo absolutamente novo, mas porque disse em voz alta num tom amigável o que muitos preferem não enfrentar.

Há um ano, a Europa foi confrontada com as palavras desdenhosas de J.D. Vance. Este ano, levantou-se para aplaudir um homem do Partido Republicano que a Europa se habituou a respeitar. Não porque a substância tivesse mudado, mas porque o tom foi cordato e a consciência europeia começa a interiorizar que o tempo das ilusões terminou. A política internacional regressou ao seu estado natural, um campo de batalha onde sobrevivem aqueles que cultivam a vontade, a força e sobretudo a clareza moral. Onde Trump e Vance têm sido brutais, hostis e aparentemente erráticos, Rubio estabeleceu um fio de prumo.

Foi estratégia de choque? Se foi, parece ter resultado.

Rubio afirmou que os Estados Unidos querem continuar a contar com os seus aliados europeus, mas deixou igualmente claro que, na nova ordem que se desenha, a centralidade do Ocidente dependerá menos de proclamações e mais da capacidade real das nações que o compõem para defender os seus interesses e a sua civilização. Esta frase encerra uma advertência decisiva: nenhuma civilização permanece se deixar de acreditar em si própria.

Durante décadas, a Europa habituou-se a viver num estado de segurança quase etéreo, como se a estabilidade fosse uma dádiva divina e não o resultado de decisões difíceis, sacrifícios e coragem política. A vitória na Guerra Fria criou a ilusão de que a história havia terminado, de que bastaria administrar regras, tratados e........

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