A culpa é sempre de Israel… e já agora dos EUA
Há teses do comentariado televisivo português que, pelos seus méritos, entram directamente, para a grandiosa antologia do disparate nacional.
A guerra em curso no Médio Oriente tem o imenso mérito de expor a curiosa cosmovisão de boa parte dos comentadores nacionais. Uma cosmovisão que mistura sociologia de café com geopolítica às três pancadas, da qual resulta uma simples e reiterada ideia: a culpa ontológica de qualquer conflito no Médio Oriente é sempre de Israel ou dos Estados Unidos ou, na linguagem do mexerico coscuvilheiro de uma certa “especialista” da SIC, do “Bibi” e do “Trump”. Idealmente dos dois, para não haver dúvidas.
O país dos aiatolas pode bombardear vizinhos, financiar milícias, promover atentados, construir milhares de mísseis, procurar activamente a bomba atómica e jurar a destruição de um Estado inteiro. Nada de especial. A verdadeira questão é sempre a resposta de Israel e dos EUA.
A fascinante e revolucionária tese central repete-se com hipnótica regularidade. Israel está a cometer “genocídios” e crimes de guerra, a provocar escaladas “desproporcionais” que ameaçam a paz regional e outras infindáveis maldades. Já um regime de alucinados, cujo objectivo é destruir Israel e mandar na região para preparar a vinda do Mhadi está, no fundo, apenas a participar num sofisticado exercício diplomático ligeiramente mais barulhento.
As “escaladas incontroláveis” começam apenas quando Israel opta por não morrer educadamente ou os EUA por acabar com a baderna. Ou seja, os primeiros murros não contam, o problema são os socos de quem se farta de servir de saco.
Mas há mais. Segundo alguns analistas televisivos, o plano militar contra o Irão já estaria a falhar antes mesmo de começar. Passou uma semana e Teerão vai disparando cada vez menos mísseis e drones, depois de ter esguichado centenas sobre os vizinhos do lado. Naturalmente, isto é apresentado pelos suspeitos do........
