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Um país em forma de atrelado

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22.07.2026

Atrelado. Poucas palavras definem tão bem o Estado da Nação que o Dr. Montenegro discutiu, há dias, no parlamento. Mas perguntar-me-ão: o que é, ao certo, um atrelado? Todos temos dele uma imagem mental, com mais ou menos propriedades que nos permitem distingui-lo de outras categorias. Vale a pena, no entanto, consultar o dicionário para lhe fixar a definição exacta: veículo sem motor, rebocado por outro. Esta definição assenta a Portugal como uma luva, veículo sem motor próprio, rebocado pela Europa e pelos fundos europeus, sem os quais o investimento público, a mudança, as reformas, simplesmente cessariam.

Ao longo dos últimos anos, a direita queixou-se, e com toda a razão, de que António Costa tinha um governo completamente imobilista, sem uma ideia para o país, sem um plano a dez anos, limitado a gerir o dinheiro europeu que ia entrando, de forma a manter satisfeita a sua coligação eleitoral. O diagnóstico estava absolutamente correcto. Todavia, desde 2024, com a chegada de Montenegro ao poder, o país continua sem plano, sem reformas e sem mudança. A receita de Montenegro é tirada a papel químico da governação de Costa: manter a coligação eleitoral satisfeita e ir gerindo o dia-a-dia. Viver, habitualmente, como diria um sábio do antigamente.

Há,........

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