Polónia, Hungria... e Espanha
É verdadeiramente difícil descrever o pântano político, moral e ético em que Espanha se encontra mergulhada. Mais difícil ainda é perceber como a União Europeia, perante tudo o que se passou desde 2023, opta por ignorar a profunda erosão do funcionamento democrático e do Estado de direito a que a desrazão de Pedro Sánchez tem sujeitado o país — e umas instituições que, por um conjunto de circunstâncias (a ausência de um presidente com poder para dissolver o parlamento, a existência de uma moção de censura construtiva), se encontram completamente bloqueadas. As instituições espanholas estão reféns de um homem — o único que detém a chave para acabar de vez com esta charada — cuja bússola moral se encontra definitivamente avariada.
Para não maçar os leitores, limito-me a rever a matéria dada em três exemplos do último ano. Comecemos pelo caso que envolve José Luis Ábalos e Santos Cerdán. Ambos amigos próximos de Sánchez, foram sucessivamente escolhidos para secretários de Organização do PSOE, cargo de enorme poder na estrutura interna do partido. Na segunda tentativa de chegar à liderança socialista, Sánchez percorreu Espanha com eles — e com um quarto homem, Koldo García, antigo porteiro do Rosalex, um puticlub (um prostíbulo) em Pamplona, depois reciclado em motorista, guarda-costas e factótum — a bordo de um Peugeot 407 em segunda mão. Foi a chamada rota da carne assada, destinada a mobilizar as bases do partido, e à qual o sanchismo deve a sua fundação mitológica.
Dos quatro tripulantes do Peugeot, um é hoje primeiro-ministro. Os outros três estão arguidos, investigados ou em prisão preventiva. Ábalos, ex-ministro dos Transportes, responde no Supremo Tribunal por organização criminosa, tráfico de influências, suborno e branqueamento de capitais: terá recebido comissões na ordem das centenas de milhares de euros pela adjudicação de contratos públicos, sobretudo durante a pandemia, e foi apanhado a usar palavras-código tabernárias — chistorras, sóis, alfaces — para designar notas de 500, 200 e 100 euros recebidas em envelopes timbrados com o logótipo do PSOE. Cerdán, sucessor de Ábalos........
