Obrigado, Putin. Obrigado, Trump
Estão a acontecer coisas extraordinárias na Europa. No seu discurso em Munique, Merz anunciou que a Alemanha iniciou conversações com Macron para, na prática, transformar o guarda-chuva nuclear francês numa protecção para toda a Europa. Sendo a Defesa a razão de ser do Estado, o simples anúncio destas negociações — que ainda não sabemos como vão acabar — é uma verdadeira Revolução Copernicana na integração europeia. Enquanto isso, assistimos a declarações inequívocas por parte dos líderes europeus sobre a falência do modelo do chamado Efeito Bruxelas — isto é, o reconhecimento de que a influência europeia não pode ser atingida meramente através da regulação.
O que mudou para que as elites europeias estejam, como disse Merz, a “acordar de umas longas férias de história”? A resposta é simples: a Europa encontra-se numa tenaz entre dois inimigos. A Rússia — um inimigo histórico que, nas suas múltiplas declinações, trava regularmente guerras no coração do continente — e, numa novidade perturbadora, os Estados Unidos de Trump. Ambos os países constituem ameaças à Europa, ainda que de natureza distinta. Putin representa uma ameaça militar. Trump representa uma ameaça económica, comercial e, sobretudo, civilizacional.
Numa Europa que, até há poucos anos, estava esclerosada, e que lidou pessimamente com as crises da dívida e com as dificuldades que as economias mais fracas tiveram em integrar-se no projecto da moeda única, penso que........
