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Europa, querida Europa

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Europa é de Homero
de Helénicas formas
do Fórum Romano e da Cruz
de tantas nações
Ariana e Semita
ventre das Descobertas
da Luz
do diverso sistema do modo diferente
da era da guerra e agora da paz
és assim querida Europa

(Fausto Bordalo Dias, 1987)

Nas últimas semanas, especialmente depois do discurso de JD Vance em Munique, tornou-se de rigueur em certos círculos políticos, intelectuais e mediáticos fustigar a Europa. Vance foi a Munique apresentar a nova Internacional MAGA. Depois da falência do Comunismo e do Liberalismo enquanto macro sistemas organizadores da sociedade, esta nova iteração, segundo os defensores, uma mistura entre nacionalismo, visão puramente transacional das relações entre estados e um desprezo e ódio pelo outro, tudo bem embrulhado em má estética e uma capa anti-woke para enganar tolos, seria o derradeiro estádio de desenvolvimento humano. Basta ver, ouvir e ler muito do que se diz e se escreve por aí para perceber a ideia de determinismo histórico por detrás de todo o movimento. Os povos estarão, finalmente, a acordar contra o domínio das elites globalistas e cosmopolitas. Seguir-se-á o inevitável domínio da Internacional MAGA, num dominó continuado no qual, país após país, os povos se levantarão contra a opressão woke e tomarão nas suas mãos o seu destino.

Esta visão hegeliana da sociedade tem apenas um pequeno problema. Tal como todas as iterações anteriores da história, incluindo, alas, o liberalismo capitalista, que julgara haver vencido definitivamente quando Muro caiu, esta também definhará. As suas acções plantarão as sementes da sua destruição, como é normal em todos os sistemas sociais e políticos. Ouvindo Vance e sua visão determinista das próximas décadas, há um elemento que este parece esquecer: a........

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