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O SNS não está a falhar!

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04.05.2026

Em Portugal olha-se para a despesa e vê-se um problema, quando muitas vezes é apenas o reflexo cru das nossas escolhas constitucionais e civilizacionais. O relatório de Outubro de 2025 do Infarmed sobre a despesa com medicamentos hospitalares devia ser lido como um mapa e não como um alarme, mas provavelmente será usado por muitos como um pretexto para gritar “descontrolo”, “insustentabilidade” ou “colapso iminente” do SNS.

Ao ler honestamente os números constantes desse relatório, dá para perceber que estamos a olhar para um Ativo e não para um Passivo. A despesa com medicamentos de uso hospitalar cresce mais 268 milhões de euros num ano, ultrapassando os 2,2 mil milhões euros na despesa, pois o Sistema Nacional de Saúde está a tratar muitos doentes que antes simplesmente nem sequer esperança tinham de poderem ser tratados: quantos de nós se lembram dos relatos em desespero, de famílias que levavam os seus entes mais queridos para uma operação ou procedimento de ultimo grito para Londres ou Nova York ou Estocolmo. Hoje o saber e o saber fazer também se concentra em Lisboa, no Porto e em Coimbra.

Ao olhar com atenção para onde o dinheiro está a ser canalizado, a realidade torna-se desconfortável pela sua evidência: quase 60% da despesa concentra-se nos hospitais do Grupo E e nos Institutos Oncológicos do Grupo F, ou seja, nos grandes centros de Lisboa, Porto e Coimbra. É ali que o SNS funciona melhor — precisamente onde é mais oneroso, mais exigente, mais complexo, mais irreproduzível — porque é aqui que se concentra escala, diferenciação, massa crítica, conhecimento acumulado ao longo de décadas, equipas que não se improvisam nem se replicam por decreto. É ali que se tratam as doenças que não admitem erro nem simplificação, e é ali que........

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