Desculpem, mas estão muito enganados
Há dias o cantor e compositor brasileiro Pierre Aderne assinou um artigo de opinião no jornal Público cujo principal objectivo era criticar o facto de haver poucos ou nenhuns deputados luso-brasileiros e luso-africanos no parlamento português. Nesse artigo, Aderne fez afirmações de natureza histórica absolutamente surpreendentes. Escreveu, nomeadamente, que “ainda no século XV” certos negros “foram fundamentais para a construção dos pilares da democracia brasileira”, destacando o nome de “Aqualtume, uma princesa negra nascida no Reino do Congo, que comandou um exército de 10 mil homens contra o Reino de Portugal defendendo seu território”. Segundo Pierre Aderne, após ter sido derrotada, em África, essa princesa congolesa, “foi vendida como escrava e levada para Alagoas, onde, logo depois, se juntou ao Quilombo dos Palmares de Zumbi e Dandara, levando consigo vários companheiros para viver em estado livre”.
Ora há aqui duas impossibilidades cronológicas e uma tese por provar. Em primeiro lugar no século XV ainda não havia negros no Brasil, pois os portugueses só lá chegaram em 1500 e só começaram o transporte de negros para essa região já o século XVI ia bem entrado. Em segundo lugar, Aqualtune (julgo que é assim que se escreve), cuja história é mítica ou semi-lendária, não poderia ser uma personagem do século XV e, simultaneamente, figura........
© Observador
