Doze anos depois: o dia em que a guerra voltou à Europa
Doze anos passaram desde que a península da Crimeia foi ocupada e posteriormente anexada pela Federação Russa. À distância de mais de uma década, esse episódio já não pode ser visto como um acontecimento isolado na história recente da Europa. Pelo contrário, foi o primeiro capítulo da guerra que hoje define o panorama estratégico do continente.
Em março de 2014, forças russas sem insígnias (os chamados little green men) tomaram posições estratégicas na península. Edifícios governamentais foram ocupados, unidades militares ucranianas cercadas e o controlo político da região rapidamente transferido para autoridades pró-Moscovo. Pouco depois, realizou-se um referendo sob presença militar estrangeira, sem garantias democráticas e sem qualquer reconhecimento por parte das instituições internacionais competentes. O resultado desse processo foi a incorporação da Crimeia e da cidade de Sebastopol na Federação Russa, formalizada a 18 de março desse mesmo ano.
Na verdade, não era sequer o primeiro sinal de alerta. Em 2008, a guerra entre a Rússia e a Geórgia já tinha demonstrado a disposição de Moscovo para utilizar força militar no espaço pós-soviético e alterar a realidade territorial através de conflitos armados. A rápida intervenção russa e o subsequente reconhecimento das regiões separatistas da Abkhazia e da Ossétia do Sul deveriam ter servido como um aviso claro sobre a evolução da política externa do Kremlin. Ainda assim, para muitos decisores europeus, o episódio acabou por ser interpretado como um conflito regional isolado, sem consequências estruturais para a segurança do continente.
Em 2014, muitos observadores procuraram interpretar o acontecimento como uma excepção ou como um fenómeno localizado, limitado a uma região específica e motivado por circunstâncias particulares. A realidade demonstrou o contrário. A anexação da Crimeia não foi um acidente da história recente: foi um teste.
Foi um teste à capacidade de reação da Europa. Foi um teste à coesão do Ocidente. E foi um teste à........
