menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A ameaça chinesa é real. A negação Portuguesa também

32 0
26.04.2026

O regime chinês não projecta poder apenas através da diplomacia clássica ou do comércio. Projecta-o através da tecnologia, da influência política, da vigilância da diáspora, da intimidação de críticos, da pressão económica, da propaganda e da exploração de vulnerabilidades nas democracias.

Desde 2022, quando a Iniciativa Liberal alertou para a existência de esquadras informais chinesas a actuar em Portugal, a reacção de boa parte do sistema foi previsível no pior sentido: desvalorização, troça e condescendência. Não houve prudência estratégica, nem vontade séria de apurar factos. Houve o reflexo típico de um país que se habituou a tratar a segurança nacional como assunto secundário e a suspeitar mais de quem alerta do que da própria ameaça.

Entretanto, a realidade avançou. Vieram a público mais elementos sobre estas redes. Soubemos que o FBI se deslocou a Lisboa para falar com a Polícia Judiciária sobre estruturas ligadas a esquadras policiais chinesas ilegais e sobre possíveis ligações dessas redes a Portugal. Mais importante do que qualquer detalhe processual é o facto político e estratégico: este tema foi suficientemente grave para justificar a deslocação do FBI a Lisboa e o contacto com a Polícia Judiciária. Isso basta para mostrar quão errada foi a atitude de quem preferiu ridicularizar os alertas da Iniciativa Liberal.

Mesmo assim, o Estado português continua sem responder à altura. O episódio tornou ainda mais absurda a atitude adoptada durante o Governo de António Costa, quando, perante as suspeitas sobre esquadras informais chinesas, a resposta politicamente relevante foi a de que Pequim teria garantido que não apoiava tais estruturas em Portugal. É difícil conceber maior ingenuidade estratégica. Um regime autoritário, opaco, repressivo e com um historial longo de negação e mentira de Estado não pode ser tomado como fonte credível para se absolver a si próprio.

O mais recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) tornou impossível continuar a fingir que nada disto existe. A China passou a ser identificada explicitamente como uma das ameaças à segurança nacional portuguesa, ao lado da Rússia, do Irão e da Coreia do Norte, no quadro das ameaças híbridas, da ciberespionagem e da pressão sobre sectores sensíveis. Isto não surgiu por moda ou exagero. Surgiu porque a realidade se impôs, embora tarde, às instituições portuguesas.

O caso das esquadras........

© Observador