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É fazer as contas…

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12.08.2026

Em 2026, os exames nacionais do ensino secundário continuam, em larga medida, a ser realizados em papel para depois serem digitalizados e classificados através de plataformas digitais.

Façamos algumas contas.

Na primeira fase dos exames nacionais do secundário realizaram-se cerca de 340 mil provas. Admitindo, como hipótese de trabalho prudente, uma média de 16 folhas por prova  (dez páginas de enunciado e seis folhas de resposta) estamos perante cerca de 5,4 milhões de folhas.

Uma folha A4 de 80 g/m² pesa aproximadamente cinco gramas. Só na primeira fase, esta conta corresponde a cerca de 27 toneladas de papel. Acrescentando a segunda fase, exemplares adicionais, diferentes versões, provas adaptadas e excedentes de produção e distribuição, uma estimativa da ordem das 35 toneladas de papel para o conjunto do processo é plausível.

Trata-se, sublinhe-se, de uma estimativa ilustrativa, não de um número oficial. Para obter o valor exato seria necessário conhecer o número de exemplares efetivamente produzidos e distribuídos pela entidade responsável pela impressão. Esses dados existem, mas não são públicos.

Mas há um dado financeiro mais sólido.

Em 2023, a própria Editorial do Ministério da Educação e Ciência (EMEC) identificava os “Exames Nacionais (Ensinos Básico e Secundário)” como uma das suas principais áreas de atividade. Nesse ano, a EMEC registou uma redução de 18% na faturação dessa atividade, equivalente a menos 159 300 euros, devido à passagem das provas de aferição para formato digital. A partir destes dados, é possível estimar que a atividade associada aos exames nacionais tenha representado cerca de 726 mil euros de faturação da EMEC em 2023.

Convém ser rigoroso: 726 mil euros não são o “custo dos exames”. São uma estimativa da receita ou faturação associada à atividade de exames nacionais da EMEC. E incluem muito mais do que o preço do papel: pré-impressão, impressão, acabamento, embalagem, expedição, distribuição e a capacidade produtiva necessária para garantir segurança, sigilo e cumprimento de prazos.

Mas este número permite perceber uma coisa importante: o valor económico da cadeia física dos exames é muito superior ao simples preço do papel.

E essa cadeia física não desaparece quando, depois, acrescentamos a componente digital.

O modelo atual é, essencialmente, o da figura seguinte:

É precisamente aqui que começa o problema.

Segundo o levantamento publicado pelo Público com base nos contratos públicos, foram celebrados, desde 2023, 16 contratos relacionados com a desmaterialização da avaliação externa, no valor de cerca de 7,1 milhões de euros, acrescidos de IVA.

Seria, contudo, um erro atribuir estes 7,1 milhões exclusivamente aos exames do 11.º e........

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