Era uma vez o monoteísmo
A principal inovação do judaísmo do período pós-exílico foi a afirmação progressiva de um monoteísmo ético: a crença num Deus único e transcendente, que exige uma conduta moral fundada na responsabilidade da comunidade e na lei de Moisés, ao contrário das religiões pagãs da Antiguidade, marcadas pelo culto a várias entidades divinas associadas a superstições ou forças da natureza. A prática judaica passou a estar ancorada no seguimento fiel da Bíblia hebraica, que estabelecia deveres abrangendo muitos aspetos da vida comunitária, como o sacrifício de animais ou a observância do shabat.
Pela sua natureza não-proselitista – fortemente ligada a um povo e a uma identidade étnico-religiosa -, o judaísmo nunca se tornou uma religião amplamente difundida. Para tal contribuíram também as perseguições históricas ao povo judeu, que reforçaram a prioridade de preservar a identidade, tradição e continuidade da comunidade, mais do que de expandir o número de fiéis.
O cristianismo nasceu como um movimento religioso monoteísta no seio do judaísmo, centrado em Jesus de Nazaré, que os seus seguidores reconheceram como o Messias e filho de Deus, marcando desde cedo uma rutura irreconciliável com o judaísmo. Mais tarde, no Concílio de Niceia, a Igreja afirmou mesmo a identidade divina de Cristo (“consubstancial ao Pai”), colocando pela primeira vez um ser humano no centro da doutrina religiosa. Ao contrário do judaísmo, que atribuía primazia ao cumprimento da Torá, a religião cristã focava-se na relação interior do crente com Deus, na oração e na fé em Jesus Cristo, sem impor rituais ou deveres comunitários através de um código........
