Javalis e o pensamento mágico da Quercus
Estima-se que atualmente o nosso país acolha entre 300 a 400 mil javalis. Os conflitos são, assim, inevitáveis: de prejuízos agrícolas avultados a crescentes acidentes rodoviários, passando por incursões urbanas alarmantes, não só em Setúbal e nas praias da Arrábida, mas um pouco por todo o país. Pressionado pelo desespero do mundo rural e pela ameaça da Peste Suína Africana, o Governo avançou recentemente com um projeto-piloto de incentivos financeiros para, por via do setor cinegético, combater este aumento em 60 concelhos.
Em contrapartida, as associações ambientalistas, lideradas pela Quercus, reagiram criticando o plano e exigindo uma resposta baseada na reintrodução e defesa do lobo, na recuperação de florestas nativas e numa mescla de sugestões sobre subsídios, vedações, estudos ou mexidas nas leis cinegéticas. Não me entendam mal, eu não vejo com maus olhos nem o lobo nem os carvalhais. Mas isto é o aproveitamento de uma crise para defender agendas partidárias e ideológicas totalmente desligadas da realidade, cunhado como “científico” ao tecer um conjunto de infantilidades sobre a espécie. Um suposto “equilíbrio natural” sem caça num território humanizado há milénios não faz qualquer sentido.
Comecemos pelas vedações e indemnizações na geografia social e económica do minifúndio no Norte e Centro do país. O custo de instalar redes reforçadas eficazes para travar estes animais supera largamente a margem de lucro de uma horta familiar, de um pequeno olival ou de uma vinha de encosta tradicional. Claro que, para quem vive na urbe, é muito fácil falar em cercas ou em esterilizações caríssimas, sem nunca explicar com que dinheiro e com que eficácia prática as medidas seriam aplicadas. Além disso, as compensações estatais geram um sinal contraditório: desincentivam a proteção ativa e custam dinheiros públicos. E o que acontece quando a burocracia estatal........
