A ver vacas a voar
“Que um fraco Rei faz fraca a forte gente”
(Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto III – 138)
O século XIV terá sido o período mais negro da história europeia.
Começou com Alterações Climáticas: chegou ao fim um período quente, o Ótimo Medieval, e de prosperidade, em que a população cresceu imenso – em Portugal estima-se que nos dois primeiros séculos a população duplicou de 500 mil para 1 milhão de habitantes – e entrámos na Pequena Idade do Gelo que trouxe anos seguidos de mau tempo dos quais resultou a chamada “Grande Fome” que, de 1315 a 1322, terá tirado a vida a entre 10 e 25% de toda a população europeia.
Como um mal nunca vem só, à ausência de colheitas juntou-se a “Grande Praga Bovina” entre 1318 e 1321, que nas Ilhas Britânicas, por exemplo, matou 2 a cada 3 bovinos. Terá sido por esta altura que no transporte e na lavoura, se trocaram os Bois pelos Cavalos.
Sem pão e sem carne, foram anos terríveis, marcados por elevados níveis de crimes, doenças, mortes em massa, canibalismo e infanticídio. Daqui nasceu o conto de Hansel e Gretel que se posteriormente foi amenizado com a introdução da figura da Madrasta, na versão original era a própria mãe que havia abandonado as crianças na floresta…
Tempo bárbaros, tempos de trevas. Mas o pior ainda estava para vir.
A meio do século (1347) o continente europeu foi devastado pela Peste Negra. Estima-se que a praga tenha matado 30 a 60% da população da Europa, e que tenham sido necessários 200 anos para esta recuperar aos níveis pré-pandemia. Inglaterra, França, Alemanha ou Itália estavam salpicadas de vilas e aldeias totalmente vazias e abandonadas.
PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR
E ao agravamento climático, à fome........
© Observador
