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A mentira mais antiga

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29.03.2026

Na quinta-feira passada, a 26 de Março, Noelia Castillo morreu em Barcelona. Tinha 25 anos. A história dela começa muito antes, e começa mal: o divórcio dos pais, a perda de custódia pela família, a colocação num lar do Estado para jovens vulneráveis, a violação colectiva nesse mesmo lar. A tentativa de suicídio: o salto no vazio, a lesão medular grave, os meses de reabilitação em que, contra todas as expectativas e com o pai ao lado a filmar e a animar, conseguiu voltar a andar com muletas, a subir escadas, a passear na rua. Os médicos chamaram-lhe um milagre. O pai chamou-lhe, carinhosamente, uma máquina. E depois, apesar de tudo isso, ou talvez por causa de tudo isso, veio o pedido de eutanásia: as dores neuropáticas, a depressão, a síndrome, seguido do diagnóstico de setenta por cento de incapacidade. Dois anos de batalha judicial em que o pai tentou impedir que uma vida destroçada desde a infância fosse convertida em dossiê encerrado. E finalmente, na tarde de quinta-feira, num centro de “saúde” de Barcelona, a morte administrada higienicamente, enquanto Espanha e o mundo assistiam estupefactos. O sistema que falhou em protegê-la quando era criança foi o mesmo que, por fim, lhe organizou a morte. A máquina funcionou na perfeição: formulários preenchidos, instâncias consultadas, tribunais alinhados, seringa preparada. Kafka teria reconhecido o processo. Orwell teria reconhecido a linguagem.

O fio que liga esta história a tudo o que este mês trouxe não passa pelos parlamentos nem pelas chancelarias: passa pelo interior do ser humano. O Luxemburgo votou inscrever na sua Constituição a liberdade de matar antes do nascimento. Depois da França. Não será o último. O Parlamento britânico descriminalizou o aborto até ao dia do........

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