Trump, Xi e a armadilha de Tucídides
No fim da visita de Trump à China, e sem pretender acesso a segredos de Estado, é possível tirar algumas conclusões: os líderes dos dois grandes poderes mundiais – em economia, capacidade militar, inovação tecnológica, importância geopolítica – mostraram-se, cada um a seu modo, relativamente satisfeitos com os resultados da cimeira. Trump, mais efusivamente satisfeito, tratando Xi por “grande homem” e “amigo” e falando sobretudo dos negócios conseguidos; Xi, mais moderadamente satisfeito, pensando sobretudo no reconhecimento implícito da China como potência equiparável aos Estados Unidos.
Seja como for, apesar da generosa adjectivação de um e da reserva prudente do outro, os dois homens têm muito para se entenderem: são ambos realistas, nacionalistas e amantes do poder. E são ambos autoritários, tanto quanto os respectivos sistemas políticos permitem – sendo que o de Xi permite muito e o de Trump muito pouco. O número 1 chinês não tem de contar com opinião pública, eleições ou oposição e foi subordinando o Partido Comunista e os militares à sua vontade; o número 1 norte-americano tem de contar com tudo aquilo com que Xi não conta e ainda com o clima hostil dos media americanos e europeus, onde, aparentemente, a crítica insultuosa ao actual inquilino da Casa Branca se instituiu como prova de virtude ou até de admissão à classe.
Política, Negócio e negócios políticos
Trump precisa das terras raras chinesas e a China depende dos microchips da Nvidia, cujo patrão, Jensen Huang, integrou a comitiva norte-americana. E se Trump e Washington têm um sério problema – sair airosamente da guerra do Irão e restituir a liberdade de circulação ao estreito de Ormuz –, Xi e Pequim têm outro – Taiwan. Ou seja, uma possível ajuda chinesa no Irão pode ter como preço uma cedência americana em relação a........
