Dostoiévski e a porta estreita
O tempo de Páscoa é um tempo marcado pelo Mistério, pelos mistérios da Fé e pela simbologia solene que encerram; um tempo em que nos confrontamos com o essencial despido de tudo, com a morte e a promessa de vida nova, com as nossas escolhas, sempre livres e possíveis, entre o Bem e o Mal, com as nossas fraquezas e pecados, com o mistério deste mundo e dos calvários deste mundo.
Como é que um Deus infinitamente bom e poderoso, que conhece e ama todos os Seus filhos, permite o Mal, ainda que em nome da Liberdade? Esse Mal que devasta a terra dos vivos, que reinou nos Gulags comunistas e nos campos de extermínio do Terceiro Reich, que se precipitou sobre Hiroshima, que mata crianças em Gaza e as trafica na EuroAmérica para pedófilos ricos e poderosos; um Mal que parece uma praga incompreensível, que às vezes toma conta de nós e do mundo, mesmo dos que somos crentes e estamos avisados contra ele. Se há, nesta Terra, mestres em tudo isto, um deles é Fiódor Dostoievski (1821-1881). Com Tolstoi, Dostoievski é um dos grandes conhecedores e problematizadores da natureza humana do século XIX; do Homem nos seus dilemas morais, nas suas inquietações essenciais, no seu desespero ou esperança, na sua tragédia ou redenção, na sua oscilação entre Deus e o Demónio, o Bem e o Mal.
Naqueles anos em que lemos com paixão, como que possuídos, fascinados pela narrativa, foi também nos enredos e nas personagens de Dostoievski, n’Os Irmãos Karamázov, no Crime e Castigo, n’Os Demónios, que achei respostas ou caminhos de resposta para........
