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Mais 38 que vão pagar as nossas reformas?

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21.08.2025

“A qualidade de um dado deve ser avaliada em função da forma como esse dado foi produzido e não da satisfação ideológica que proporciona.” Esta citação de Michèle Tribalat, especialista em demografia, mereceria ser impressa em cartazes de formato A1 e afixada nos gabinetes da maioria dos investigadores e docentes universitários de ciências sociais, que tantas vezes recorrem à ciência não como via de busca da verdade, mas como instrumento para confortar as suas convicções. Vivemos numa época em que a verdade é, demasiadas vezes, silenciada para que a realidade se molde a determinadas visões ideológicas. Peguemos nos argumentos utilizados na defesa de políticas de “portas abertas” à imigração. Um dos argumentos mais frequentemente invocados pelos defensores destas políticas migratórias é o de que os imigrantes oriundos do chamado terceiro e quarto mundo trarão grandes benefícios para as economias e as finanças das nações ocidentais. A frase “eles vão pagar as nossas reformas” é muito repetida ultimamente. Mas será assim tão certo? Proponho, assim, que nesta terceira parte da reflexão sobre o “impacto da imigração extra-europeia” na Europa, se analise de forma muito sucinta o impacto económico, em particular o efeito que a imigração extra-europeia exerce nas finanças públicas. Uma vez que muitos sustentam que estes imigrantes virão salvar a nossa segurança social, apresentarei estudos realizados por economistas e especialistas em demografia sobre o tema. Façamos, pois, um breve aperçu da situação noutros países europeus. Convém notar que falaremos do custo líquido final, isto é, do verdadeiro balanço económico da imigração: somam-se todas as receitas (impostos, contribuições, etc.) e subtraem-se todas as despesas (prestações sociais, saúde, educação, subsídios de desemprego, entre outros).

Qual é o custo da imigração em França? Durante muitos anos, este tema foi praticamente tabu, mas a situação mudou, e a esmagadora maioria dos estudiosos concorda: a imigração, especialmente a extra-europeia, acarreta custos muito superiores aos benefícios. O verdadeiro pioneiro na tentativa de estimar o custo da imigração em França foi Pierre Milloz, em 1989, com o relatório intitulado Rapport Milloz: Le coût de l’immigration. O saldo final revelava-se extremamente negativo para o Estado: 211,1 mil milhões de francos (p.8) era o custo estimado da imigração para as finanças públicas. Contudo, quando se fala no estudo dos custos da imigração em França, o nome que surge quase sempre é o de Jean-Paul Gourevitch. Em Agosto de 2023, num estudo realizado no âmbito dos Études du Contribuables Associés nº 45, este autor estimava que, a 1 de Janeiro de 2023, o custo da imigração em França se elevava a 53,9 mil milhões de euros, correspondendo a 2% do PIB. De forma clara e transparente, Jean-Paul Gourevitch afirma que a imigração não só não traz benefícios à França, como é um encargo cujo custo tem vindo a aumentar progressivamente.

Outros investigadores, utilizando metodologias distintas, chegam, por vezes, a estimativas ainda mais elevadas. Assim, André Posokhow, no livro Immigration, l’heure des comptes (edições Synthése, 03/2022), decidiu expandir as variáveis estudadas, considerando tanto as receitas que a imigração traz às finanças públicas como todas as despesas por ela geradas. Para A. Posokhow, a metodologia de Jean-Paul Gourevitch apresenta lacunas significativas, uma vez que ignora certos custos. Gourevitch contabiliza apenas os custos directos, omitindo os custos ligados à imigração associados às funções de soberania do Estado: justiça, forças da ordem, controlo das fronteiras, luta contra o crime e as fraudes, etc. No caso das fraudes, apenas para ilustrar, o Estado francês chega a pagar reformas a imigrantes argelinos com 130 ou 140 anos. Como é possível? Simples: o Estado argelino não envia as certidões de óbito, permitindo que famílias inteiras recebam durante décadas o dinheiro do contribuinte francês, mesmo após a morte do trabalhador imigrante. Outro ponto relevante é que A. Posokhow não se limita aos imigrantes estrangeiros, mas também analisa a segunda geração. E decide incluir todos os custos: educativos; políticas de habitação urbana; subsídios de desemprego; outras prestações de protecção social; custos de integração (como cursos de língua francesa e alfabetização); o “juro da dívida” francesa; e os custos das funções soberanas, tais como a justiça, a polícia, a pequena delinquência, as fraudes sociais, as fraudes fiscais e os tráficos criminosos (que totalizam, estes últimos, 55 mil milhões de euros). O resultado final? O balanço global da imigração — europeia e extra-europeia — ascendia a um custo de 193 mil milhões de euros em 2019. Segundo A. Posokhow, ao distinguir a imigração europeia da extra-europeia, os resultados diferem de forma significativa: os imigrantes europeus, tal como os cidadãos franceses nativos, contribuem para o Estado francês com um montante ligeiramente superior ao custo que lhes é associado. Já os imigrantes extra-europeus apresentam custos tão elevados que conduzem a este valor “assustador”. Num novo estudo que A. Posokhow irá publicar ainda este ano, o custo estimado sobe........

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