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A Direita deve vencer a "Batalha das ideias"

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07.07.2026

É uma crítica recorrente que costumo ler aqui e ali. Não haveria, em Portugal, nenhum verdadeiro partido de direita; todos eles teriam ideias de esquerda ou, pelo menos, uma certa tendência para se submeterem as ideias de esquerda, mesmo quando se dizem de direita. Será exagero? Ou não haverá alguma verdade nestas afirmações? Não é de estranhar que, desde 1974 e até ao aparecimento do Chega, em 2019, tenha existido um certo receio, por parte de alguns líderes «à direita do PS», em se assumirem abertamente como homens de direita e levarem a cabo políticas inequivocamente de direita. Porque razão é que a direita em Portugal parece ter um certo pavor em desagradar à esquerda, chegando mesmo a submeter-se às suas críticas, enquanto a esquerda se permite ataques «baixos» quando critica a direita? De um PSD cujos líderes sempre disseram não ser «de direita» (de Sá Carneiro a Rui Rio), e que se mostra incapaz de introduzir reformas liberais na economia, a um CDS que, supostamente liberal-conservador, tem nas suas lideranças pletoras de dirigentes que apelam ao voto num candidato socialista nas presidenciais, os portugueses de direita “são órfãos”. Quanto ao próprio Chega, se é salutar o facto de ter sido o primeiro partido abertamente de direita e que se reivindicava como tal, tem vindo a apresentar propostas económicas e a opor-se a certas reformas que têm deixado estupefactos os seus apoiantes, que pensavam estar a apoiar um partido nacional-liberal. Após oito terríveis anos de governação socialista, nos quais o ex-Primeiro-Ministro António Costa abriu as fronteiras à imigração extra-europeia, em que a economia estagnou e em que se aumentou o número de funcionários públicos, sem falar dos “casos e casinhos”, o centro-direita parece continuar a ter um certo pavor quando ouve as críticas e as lições de moral da esquerda. Qual a origem deste poder que a esquerda detém?

Há uma resposta para todas estas questões: tal como eu dissera num texto anterior, a esquerda detém a “hegemonia” cultural em Portugal – infelizmente, em quase todo o Ocidente – pois ela conseguiu vencer a “batalha das ideias”. Começou a prepará-la muito antes do 25 de Abril de 1974, mas, desde essa data, tem dominado a psique colectiva dos portugueses. Mesmo eleitores que votam em partidos de direita foram influenciados pela visão social, económica, histórica e política que a esquerda impôs. E essa mesma esquerda (e a sua aliada, a extrema-esquerda) conseguiu vencer essa batalha através de algo que a direita há muito abandonou: a metapolítica. A direita portuguesa acha que vencer a batalha política lhe permite transformar a realidade política do país. Enganam-se os que pensam assim. Antes da política “prática”, é preciso dominar o campo metapolítico. Por outras palavras, as ideias precedem o poder político prático. Sem influência sobre as mentes da população em geral, de pouco serve à direita conquistar o poder, porque, em primeiro lugar, enquanto lá estiver, dificilmente conseguirá levar a cabo reformas estruturais profundas e, em segundo lugar, acabará por perder rapidamente o poder nas eleições seguintes, se é que o conseguirá manter até lá.

Minuciosamente e pacientemente, a esquerda foi influenciando a população através do ensino, da literatura, do cinema, da música, do teatro e da televisão, transmitindo as mensagens que pretendia difundir. Enquanto isso, a direita foi-se resignando e concentrando-se quase exclusivamente na gestão económica. Grave erro, pois a “economia não é o destino”, diziam os intelectuais da Konservative Revolution. As elites de esquerda têm a capacidade de mobilizar jornalistas, músicos, actores, escritores, intelectuais, professores universitários e do ensino secundário em torno da defesa de certas ideias — pessoas que, por sua vez, devido à sua influência na sociedade, acabam por moldar a opinião dos eleitores que, ao votarem à esquerda, reforçam esse mesmo poder (num verdadeiro ciclo vicioso). Por outras palavras, sendo a esquerda quem tende a impor a sua visão do homem, da sociedade e da economia, é também ela que acaba por definir os temas considerados relevantes na realpolitik, aqueles que não o são e aqueles que devem ser evitados ou silenciados (por exemplo, a imigração proveniente do terceiro mundo), mesmo quando não detém o poder. Deste modo, lidera o “mundo das ideias”, o que lhe permite delimitar o que é aceitável ou inaceitável.

Pode a direita reverter a situação em Portugal? Sim, pode… Mas para recuperar a hegemonia cultural, a direita terá de aceitar travar a “guerra cultural”. Infelizmente, é precisamente o contrário que as direitas em Portugal (se é que existem) têm feito: preferem submeter-se. Noutros países ocidentais, as várias direitas conseguiram, pouco a pouco, recuperar terreno na “batalha das ideias”. Da Nouvelle Droite, que acabou por influenciar o debate político não só em França, mas em todo o Ocidente —........

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