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É possível travar a imigração?

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12.08.2026

É um dos grandes tabus da política actual: a imigração proveniente do Terceiro Mundo que chega ao Ocidente. Ou, dizendo as coisas de maneira menos politicamente correcta, a imigração proveniente de países não ocidentais para os países ditos “brancos”: países da Europa, Austrália, EUA, Nova Zelândia… A maioria dos políticos prefere fechar os olhos à realidade, contornando-a através de uma espécie de novilíngua, nascida ora em Washington D.C., ora em Bruxelas. O que aconteceu em Ceuta despertou ainda mais ocidentais, dos dois lados do Atlântico, para aquilo que estava a acontecer. A imigração extra-europeia é uma das questões que mais preocupam os ocidentais. Contudo, como vimos com a “invasão” de Ceuta, as nossas elites não só, como disse mais acima, fecham os olhos, como preferem minimizar o problema, quando não chegam mesmo a mentir. Assim, ora nos dizem que não existe qualquer fenómeno de imigração massiva, ora nos dizem que, se este existe, não é assim tão grave, porque sempre teria havido imigração para a Europa. Claro que nunca apresentam números, pois isso seria o fim da narrativa. E, quando alguns, como eu, o fazem, são apelidados de tudo e mais alguma coisa. Um dos exemplos é o da chamada “teoria da Grande Substituição”. Ora não existe, ora é uma teoria perigosa que deve ser combatida, ora, afinal, existe, mas é uma coisa boa (dixit Jean-Luc Mélenchon) e os ocidentais devem aceitar tornar-se minoritários nos seus próprios países dentro de poucas décadas — e quem se opuser a tal só pode ser um perigoso reaccionário, fascista e, quem sabe, nazi.

Contudo, fiquei deveras surpreendido quando o actual Presidente da República Portuguesa, José Seguro, disse que era preciso lutar contra a imigração ilegal de maneira firme, sem desumanizar. Infelizmente, se tivesse um euro por cada vez que ouvi um político dizer tal coisa para, de seguida, fazer o contrário, poderia comprar um T4 no centro de Lisboa. Pessoalmente, acredito que é possível combater a imigração ilegal mas também, e aqui está o grande tabu legal, reduzi-la ao máximo de maneira pacífica, humana, sem desumanizar. Porque, de facto, quanto mais deixarmos este problema aumentar, mais nos aproximamos de um ponto de não retorno que acabará, mesmo que prefiram não o admitir, ou que me acusem — já fui acusado disso por alguns leitores do Observador — de imaginar cenários improváveis, por conduzir, seguindo uma lógica histórica, à “libanização” da Europa Ocidental e, consequentemente, guerras civis à moda libanesa. Porque o mundo real não é como a mente dos esquerdistas. No mundo real, povos que chegam a determinado território tentam, quando se tornam suficientemente numerosos, dominar esse território e impor a sua cultura e religião às populações nativas, o que acaba por criar choques violentos. Existem, na História, milhares de exemplos. O que não existem em grande número são exemplos pacíficos em que povos nativos tenham decidido aceitar submeter-se sem antes oferecer resistência.

Eu já tratei dos números, dos problemas ao nível da segurança, do custo económico da imigração e do custo identitário dessa imigração. Os problemas são reais. A imigração é um fenómeno importante, e não podemos fechar os olhos à sua dimensão. E o mais preocupante é que pode vir a piorar — e muito. Entre 100 e 150 milhões de africanos e asiáticos poderão querer vir para a Europa até 2050, e algumas dezenas de milhões poderão querer emigrar para os EUA. Seria o fim do Ocidente, porque estas populações levam consigo — o que é normal e humano — as suas culturas, as culturas nas quais nasceram, que são culturas antagónicas à nossa Civilização e, consequentemente, ao nosso modo de vida e aos nossos usos e costumes. Isso levaria inevitavelmente a choques violentos. Muito antes de Samuel Huntington ter teorizado o “Choque das Civilizações”, o intelectual polaco Feliks Koneczny havia posto a questão de maneira simples: é impossível dois povos membros de duas Civilizações diferentes conviverem pacificamente num determinado país sem que um tente dominar o outro. Porque para ele, uma Civilização era, e cito, a “soma de tudo aquilo que é comum a uma determinada fracção da humanidade e, ao mesmo tempo, a soma de tudo aquilo pelo qual essa fracção se distingue das demais” (in La guerre des civilisations. Introduction à l’œuvre de Feliks Koneczny, de Antoine Dresse, La Nouvelle librairie/Institut Iliade, 2025).

Dito isto, penso que estamos quase todos de acordo em que, perante um........

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