O Mal, apenas o Mal
Há crimes que parecem exceder a própria capacidade humana de compreensão e que, precisamente por isso, desencadeiam um ritual coletivo de uma procura febril por uma explicação suficientemente sofisticada para tornar o horror intelectualmente tolerável. O caso de Marine Rousseau e Marc Ballabrigade voltou a expor esse impulso contemporâneo. Em pouco tempo instalou-se uma onda de especulações psicológicas improvisadas como se o mal, para existir legitimamente no nosso imaginário, precisasse antes de ser verificado por alguma autoridade médica.
Importa sublinhar o evidente, não avaliei nenhuma das pessoas envolvidas, não conheço os protagonistas desta história, não disponho de elementos clínicos que permitam qualquer conclusão psiquiátrica séria. Mas talvez precisamente por isso seja útil refletir sobre o que este impulso revela acerca de nós próprios, esta necessidade quase compulsiva de categorizar tudo aquilo que nos........
