O Martim Moniz, nova terra dos amanhãs que cantam
A violação duma mulher no Martim Moniz veio lembrar-nos que o Martim Moniz se tornou na nova terra dos amanhãs que cantam, só que agora os agentes da revolução já não são os operários mas sim as comunidades. E na terra dos amanhãs de agora, como nos dos amanhãs do passado, a realidade, para os activistas, pode ser e deve ser filtrada pela ideologia. Feito este aviso prévio, entende-se melhor o que por aí se disse e escreveu sobre “a italiana” e os seus agressores apátridas.
Ora estudante, ora jovem, ora universitária, mas invariavelmente italiana, uma mulher foi notícia por, alegadamente, ter sido violada por dois ou três homens. Houve também quem optasse por outra abordagem: a italiana, afirmavam, teria sido abordada por dois ou três homens que, quem sabe, lhe teriam perguntado pelas horas ou se queria conversar com eles. Note-se que, mesmo antes de serem conhecidos os resultados dos exames médicos que viriam a confirmar a violação, já se sabia que a jovem sofrera agressões na cabeça e no peito, o que em português vai muito para lá do significado de “abordagem”.
Rapidamente os exames médicos confirmaram a violação, que por isso deixou de ser “alegada violação” ou “abordagem”. A italiana, que também podia ser estudante italiana, jovem italiana ou universitária italiana, deixou então de “alegar ter sido violada” e passou a violada. Mas italiana, claro.
Já os dois ou três homens que lhe bateram, a violaram e roubaram, esses, ora eram apresentados como indivíduos, ora como alegados agressores. Sobre a sua nacionalidade nem uma palavra, o que não deixa de ser um gritante contraste com o que entretanto acontecia à vítima, invariavelmente identificada como italiana. Num enviesado, mas comum processo, de escolha de identificação por nacionalidades, enquanto a vítima era identificada pela sua nacionalidade os agressores mantinham-se apátridas,........
© Observador
