Eu quero um balcão
A gota de água que fez transbordar o vaso da minha irritação foi aquele “Aceder”. Aceder a quê? Afinal eu só pretendo pagar um serviço que contratei. Não quero aceder a nada pois aceder implica uma vontade de fazer parte de algo mediante o cumprimento de determinados pressupostos. Ora eu quero tão só pagar o que usei. Sou uma cliente, não uma amiguinha.
Para agravar a confusão entre o cliente e os amigos há empresas que fazem questão de acompanhar o momento em que “acedemos” com mensagens de solidariedade com as mais variadas causas. Esclarecerem o cliente nas suas muitas dúvidas é-lhes difícil para não dizer impossível, já inundarem-no com arengas de miss mundo deve fazê-los sentir “melhor pessoas”!
Mas voltemos ao aceder. Num algures que não sei precisar a nossa relação com as empresas – públicas e privadas, que nisso não se distinguem, antes pelo contrário – transformou-se numa espécie de ritual de iniciação de clube de adolescentes de que o aceder é apenas uma parte.
Tudo começa com o registo, acto que oficialmente se faz em minutos e que na prática acaba a roubar-nos uma ou........
© Observador
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