Porque parece que estamos em crise quando não há crise?
É verdade que os combustíveis atingiram valores históricos esta semana e que a prestação da casa de quem tem crédito à habitação está e vai continuar a subir. E que as perspetivas podem hoje ser mais preocupantes por causa dos combustíveis. Mas os grandes números dizem-nos que estamos longe de viver numa crise.
A economia portuguesa cresceu 2,5% no segundo trimestre face ao mesmo período do ano passado e 0,8% face aos três primeiros meses do ano. O mercado de trabalho continua extraordinariamente forte. A taxa de desemprego caiu para 5,3% no segundo trimestre e o número de pessoas empregadas atingiu um máximo da série iniciada em 2011. As remunerações continuam a crescer acima dos preços. No segundo trimestre aumentaram 5,1% em termos nominais e 1,8% em termos reais. E o poder de compra médio das remunerações já recuperou as perdas provocadas pelo choque inflacionista de 2022 e 2023.
A dívida pública continua a diminuir e as contas públicas permanecem equilibradas, embora mais desafiantes do que no passado recente. E na última sexta-feira a Fitch voltou a subir o rating de Portugal, desta vez de A para A , uma classificação que o país não tinha desde antes da crise da dívida soberana.
É assim difícil olhar para estes números e encontrar uma crise económica, nem que seja por haver emprego. E, no entanto, parece que estamos em crise. A pergunta então é porque é que o debate político transmite este sentimento de instabilidade.
Uma primeira explicação pode estar no próprio Governo. Os governos costumam ser acusados —........
