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O que resta da ruralidade

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17.03.2025

Há pouco menos de um ano, o ainda Presidente da República teve a mais indelicada das tiradas a propósito do atual Primeiro-Ministro. Luis Montenegro, dizia, “vem de um país profundo, urbano-rural, com comportamentos rurais”. Estas palavras em nada se dirigem ao caráter de Montenegro, mas pretendem falar à grande distância que, julga Marcelo, os separa. O problema, na realidade, não é a origem de Montenegro, não é o número de habitantes de Espinho, nem a ausência de um aeroporto internacional. O problema é, sim, que Montenegro chegou a Primeiro-Ministro por via de um meio que não foi o seu, mas sem nunca se render ao proclamado encanto da metrópole.

Quase um ano passado, estas palavras não ficaram menos ásperas, nem podemos, à distância, reinterpretar o que pretendeu dizer o Presidente da República. Em todo o caso, à luz do que hoje sabemos, talvez seja possível intersetar as rudes palavras do Presidente com o momento político do país. Onde Marcelo viu lentidão (são “lentos”, disse, à data, de Montenegro e Costa), é possível........

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