Para onde, jovem português?
Que opções políticas tem um jovem liberal clássico em Portugal? Esta é a pergunta que hoje se impõe. Praticamente nenhuma, é a resposta mais curta possível. O desânimo pode parecer infundado; afinal de contas, existe um partido liberal, dois de centro-direita onde pode haver certamente espaço para o liberalismo, e outro que se mostrou orgulhosamente ao lado de Javier Milei, o grande farol libertário da atualidade. É verdade, mas é também superficial.
As críticas ao liberalismo, frequentemente apelidado neoliberalismo de forma pejorativa e utilizado como sinónimo de capitalismo, são várias e maioritariamente vistas como senso comum. A intelligentsia tenta convencer-nos há décadas de que se trata de um jogo de soma nula, um sistema que permite aos mais ricos explorar os mais pobres, um sistema que aprofunda desigualdades, um sistema no qual os indivíduos são escravos do capital e do consumismo, um sistema do individualismo atomizador, um sistema do todos contra todos, um sistema da ganância, do egoísmo e da falta de consideração pelos desfavorecidos. Todos estes argumentos penetraram facilmente na opinião pública e ganham tracção no Ocidente e principalmente entre os mais jovens nos Estados Unidos, como o demonstra esta sondagem da Gallup.
Mas em Portugal não parece ser bem assim. Pelo menos agora. O Diário de Notícias escreveu, no dia 4 de Maio, uma notícia baseada no barómetro que realizou em conjunto com a Aximage onde diz que os «jovens continuam inclinados para a direita, mas estão mais liberais». Os resultados deste barómetro mostram que o Chega não só deixou de ser o partido preferencial no eleitorado entre os 18 e os 36 anos, mas que passou para quinto. As últimas eleições presidenciais «terão sido o ponto de viragem a favor da IL», conclui a notícia.
E se as presidenciais podem ter representado um ponto de viragem na abordagem jovem, o debate actual sobre as alterações à legislação laboral propostas pelo governo não deverá ajudar o partido de André Ventura a regressar ao topo das preferências dos mais novos. Existe uma repetição constante à direita de que o país precisa (e precisa mesmo) de reformas estruturais, mas um dos poucos rasgos reformistas deste governo liderado pelo PSD de Luís Montenegro, que precisa, claro, de apoio parlamentar para o levar a cabo, encontra o bloqueio dos outros dois grandes blocos. Da parte de um Partido........
