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A fatura da energia começa na falta de estratégia europeia

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O aumento dos combustíveis é frequentemente explicado por fatores externos, decisões da OPEP, conflitos no  Médio Oriente e instabilidade nas rotas de transporte; essa explicação é conveniente, mas insuficiente, porque  o problema não está apenas fora da Europa, está na forma como a Europa estruturou, ou não estruturou, o seu  sistema energético.

O mercado energético não é um espaço neutro, a produção está concentrada, com a OPEP a representar cerca  de 40% da oferta global e a concentrar a maioria das reservas, o que lhe confere capacidade significativa de  influência sobre os preços, sendo que a gestão da produção não segue apenas critérios económicos, é também  uma ferramenta estratégica que condiciona diretamente o comportamento do mercado.

O transporte constitui um ponto crítico de vulnerabilidade, já que uma parte significativa do petróleo mundial  atravessa o Estreito de Ormuz, sendo suficiente a perceção de risco para provocar ajustamentos imediatos nos  preços, num sistema onde o mercado reage antes da escassez material e incorpora antecipadamente o risco  geopolítico.

A refinação completa o sistema, com a Europa a manter capacidade instalada, mas a perder peso relativo e a  tornar-se mais dependente de produtos refinados externos em determinados segmentos. A dependência deixou  de ser apenas de recursos, passou a ser também de capacidade industrial, o que aumenta a exposição a  disrupções externas.

Dependência não é um acidente

A União Europeia importa cerca de 57% da energia que consome e, no caso  do petróleo, a dependência é praticamente total, um padrão que não resulta de uma inevitabilidade geográfica,  mas de escolhas acumuladas ao longo do tempo e de uma ausência de articulação entre política energética e  capacidade produtiva.

A transição energética foi conduzida com prioridade à descarbonização da produção elétrica, sem assegurar  simultaneamente a substituição efetiva dos combustíveis fósseis nos transportes e na indústria, o que explica  que o crescimento das renováveis tenha alterado a matriz elétrica sem modificar a estrutura de consumo  energético global, mantendo intactos os principais focos de........

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