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Javier Milei e Donald Trump: análise comparativa

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22.02.2025

No debate mediático, Donald Trump e Javier Milei são frequentemente alvos de comparações devido à sua associação a um espectro de liberalismo económico. Contudo, uma análise detalhada revela que os seus modelos económicos divergem substancialmente à luz das suas políticas fiscais, comerciais e monetárias.

Política Fiscal e Gestão da Dívida Pública

Trump: Protecionismo Económico e Aumento do Défice Orçamental

No seu primeiro mandato, a administração Trump implementou cortes tributários, através da Tax Cuts and Jobs Act, com o objetivo de estimular a atividade económica.

Contudo, estas medidas não foram acompanhadas por uma redução proporcional de despesa pública, resultando num aumento do défice. Entre 2017-19, o défice federal dos EUA subiu de 665 mil milhões para cerca de 1 trilião de dólares, evidenciando um desequilíbrio fiscal, exacerbado pela manutenção de elevados gastos em áreas como a defesa e na atribuição de subsídios a grandes empresas, como a Cargill no setor agrícola, a ExxonMobil no mercado energético e a Boeing no setor aerospacial.

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A redução da fiscalidade não se traduziu, como se esperava, numa diminuição da dívida pública, mas sim no aumento do endividamento.

No que diz respeito à atividade comercial, Donald Trump adotou uma política protecionista mais contundente, impondo tarifas aduaneiras de 10% sobre produtos oriundos da China e de 25% sobre as importações de produtos canadianos, com o objetivo de reduzir o défice comercial e de proteger a indústria nacional.

Estas medidas geraram debates acerca do seu impacto a médio e longo prazo na competitividade dos EUA e nas cadeias de abastecimento. A imposição de barreiras alfandegárias, embora vise proteger a economia interna, poderá aumentar os custos de importação e afetar as cadeias de abastecimento globais. Consequentemente, a Reserva Federal (Fed) subiu as taxas de juro, contrariando as previsões de Trump.

Javier Milei: Livre Comércio e Política Fiscal marcada por superavtis recorrentes

Em contraste com o modelo económico americano, o atual governo argentino, liderado pelo economista libertário, aposta numa política fiscal rigorosa. Entre janeiro e outubro de 2024, a Argentina alcançou dez superavits financeiros mensais consecutivos, com um saldo de 746,291 mil milhões........

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