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O Porquinho e os três lobos maus

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22.09.2026

Num cenário internacional imprevisível, a Europa enfrenta três potências distintas. Os Estados Unidos (EUA), simultaneamente aliado, concorrente e garante de segurança, exploram a dependência europeia na defesa, energia e tecnologia através de uma política cada vez mais unilateral, protecionista e irracional. A Rússia recorre à força militar, como demonstra a guerra na Ucrânia, ameaçando a segurança europeia e expondo dependências energéticas mal geridas. A China usa a sua escala industrial, os baixos custos e o controlo de cadeias de fornecimento estratégicas para desafiar a competitividade europeia e ampliar a sua influência. Apesar das diferenças, as três beneficiam de uma Europa menos coesa e influente ou mesmo da implosão da União Europeia (UE).

Esta pressão externa expõe uma realidade que a Europa conhece bem: compete num contexto global onde não existe um verdadeiro level playing field. As assimetrias não são apenas económicas ou tecnológicas mas também sociais, regulatórias e fiscais.

Perante este cenário, a narrativa dominante é clara: a Europa, e mais especificamente a União Europeia, está atrasada, reage devagar e arrisca-se a tornar-se irrelevante.

O atraso na implementação das recomendações do relatório Draghi é frequentemente apontado como exemplo dessa inércia. A dificuldade em alinhar interesses nacionais, a complexidade dos processos de decisão e a força dos lobbies parecem confirmar a ideia de uma União Europeia incapaz de agir com a rapidez exigida pelo contexto atual.

Mas esta leitura, embora tentadora, é incompleta e, em certa medida, errada.

A União Europeia continua a ser o maior bloco comercial do mundo. Tem uma população altamente qualificada, uma base cientifica sólida e um nivel de know-how transversal a praticamente todos os setores económicos. Mantêm-se como um dos destinos mais atrativos para talento global e continua a ser vista como um parceiro estável e confiável num mundo cada vez mais imprevisível. Além do mais, em momentos de grande crise, como a pandemia, a União Europeia tem sabido,........

© Observador