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Não deixem as crianças em paz

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15.03.2026

“Deixem as crianças em paz” é um daqueles slogans que parecem irresistíveis até ao momento em que se pensa no que realmente significam. Neste caso, convinha dizer precisamente o contrário: não deixem as crianças em paz. Não as deixem entregues à negligência dos adultos, à preguiça moral das instituições e à fantasia contemporânea segundo a qual a exposição precoce a tudo seria uma forma superior de educação.

A investigação do Público, a que se prestou escassa atenção, tendo em conta a gravidade do que revelou, identificou cerca de oitenta escolas que, nos dois últimos anos lectivos, receberam influenciadores ligados a conteúdos sexuais em campanhas para associações de estudantes. Chamei-lhes “influenciadores”. Corrijo: “pornógrafos”. É assim que passarei a referir-me a eles. O caso já motivou inquéritos e levou o Ministério da Educação a anunciar orientações para proibir actividades contrárias aos fins educativos.

O que inquieta não é apenas a natureza de quem entrou no espaço escolar. É a reacção dos adultos a quem compete velar pela sanidade do espaço escolar. Em Ferreira do Zêzere, a directora-adjunta Elizabete Costa trivializou a presença de Gonçalo Maia, um dos nomes associados ao levantamento do Público, conhecido por publicar vídeos explícitos em plataformas de acesso livre como o X. O detalhe não se inventa: ao ver o pornógrafo em tronco........

© Observador