Martim Moniz, uma Lisboa entalada
Quando recordamos Martim Moniz entalado na porta do castelo, partimos do princípio de que, uma vez permitida a passagem das forças cristãs, o assomo de bravura do cavaleiro de D. Afonso Henriques terá ficado por aí. Mas não. Martim Moniz continua entalado. Não o homem, mas o território. A praça que recebeu o seu nome repete hoje, em negativo, esse gesto fundador. Desta vez, porém, a abertura não serve a entrada de nenhum exército libertador; por ela entram, uns atrás dos outros, os problemas que Lisboa foi adiando e aprendeu a fingir que não vê.
Há anos que há uma questão com o Martim Moniz. Todos sabem. Quem por ali passa não tem como não se aperceber. Mas Lisboa habituou-se, quase por dormência. Há quem tente, num trabalho silencioso, enfrentar aquela realidade, das forças de segurança a algumas instituições. Ainda assim só quando aparece uma câmara de televisão, uma rusga ou uma agressão é que a cidade se lembra de que aquilo lá está.
Quando digo aquilo, refiro-me a isto: insegurança,........
