A greve não pode parar a cidade
Há greves que são um sinal de vitalidade democrática. E há greves que expõem uma fragilidade estrutural. A do Metro de Lisboa pertence claramente à segunda categoria.
Ninguém de boa-fé contesta o direito à greve. Ele existe precisamente para causar incómodo. Quem um dia inventou o expediente sindical não o fez para ser simpático. Mas há uma diferença entre perturbar o funcionamento de um serviço e suspender, na prática, o funcionamento de uma cidade inteira. Foi isso que aconteceu em Lisboa, na passada Quinta-feira.
A capital do país ficou, durante horas, completamente virada do avesso. O que em condições normais seria um trajecto de 15 minutos de carro transformou-se, para muitos, numa travessia de quase uma hora. Sei de gente que, para percorrer os cerca de sete quilómetros que separam o Lumiar da Praça do Comércio, demorou cinquenta minutos. Mais de três vezes o habitual. E basta esta proporção para fazer uma projecção não muito distante de outras realidades: quem já demora uma hora a chegar ao trabalho passa a demorar duas ou três.
Quem depende dos horários rígidos de uma escola, de um hospital ou de qualquer outro serviço entra em incumprimento sem ter feito nada para tal. E quem........
