1º de Maio entre Marx e São José
O 1.º de Maio nasceu de reivindicações concretas por melhores condições de trabalho e da afirmação de direitos que marcaram a evolução das sociedades modernas. Essa origem não deve ser ignorada, nem deve ser menorizado o contributo de gerações de trabalhadores para a construção de sociedades mais justas. Mas dela nasceu também uma leitura que torna difícil a muitos sectores da direita celebrar esta data como merece: a ideia de que o trabalho só pode ser compreendido a partir do conflito eterno entre trabalhadores e empregadores, operariado e patronato, classes contra classes.
O trabalho é muito mais do que isso. A Igreja Católica sabe-o. Por isso, em 1955, Pio XII instituiu neste mesmo dia a festa de São José Operário, introduzindo uma dimensão mais humana, logo mais ampla, da realidade laboral. São José não representa uma teoria económica nem um conjunto de palavras de ordem. Representa a pessoa concreta, numa família concreta, numa responsabilidade concreta. Olhar para o que São José simboliza talvez nos ajudasse a compreender com outro alcance os problemas e desafios de hoje. Chamar-lhe-ão ingenuidade. Mas talvez a verdadeira ingenuidade esteja em desprezar uma sabedoria milenar em detrimento de teorias “científicas” com........
