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Violência e Democracia na Europa contemporânea

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30.03.2026

A Europa contemporânea construiu para si própria a narrativa confortável de que a violência ideológica pertence ao passado; encerrada em arquivos, museus e documentários. Uma espécie de superstição moderna segundo a qual o progresso material e institucional teria domesticado, de forma definitiva, os impulsos mais destrutivos da acção política. É uma ideia elegante, porém, profundamente ingénua.

Porque, do ponto de vista antropológico, a violência não é um acidente da história — é uma constante da condição humana. E é precisamente aqui que a Europa revela uma curiosa assimetria: condena a violência em abstracto, mas tende a relativizá-la quando esta se apresenta revestida de certas intenções morais.

Os chamados “anos de chumbo” foram um laboratório claro dessa tensão.

Em Itália, as Brigadas Vermelhas não surgiram de um vazio, mas num ambiente intelectual onde a ruptura revolucionária era, em certos círculos, romanticamente tolerada. O assassinato de Aldo Moro expôs o resultado último da indulgência de que quando as teorias se convergem em acções, o sangue deixa de ser uma mera metáfora. Giulio Andreotti reagiu a este episódio com sobriedade institucional — “o Estado não pode ceder à........

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