Um serviço militar misto - O debate necessário
A guerra na Ucrânia veio alterar profundamente a perceção que muitos europeus tinham da segurança e defesa, assim como sobre o papel que cada cidadão pode e deve desempenhar na proteção da sua comunidade. No contexto português, onde durante décadas prevaleceu um sentimento de estabilidade e (muita) distância de conflitos militares diretos no nosso território, fica claro que já não podemos dar como garantidas a paz e a segurança que outrora, imprudentemente, considerávamos imutáveis. Esta nova realidade exige não apenas reflexão estratégica ao nível político e das Forças Armadas, mas também uma discussão séria e urgente na sociedade civil sobre a prestação de um Serviço Militar Geral e Obrigatório (SMGO), aplicável a todos os cidadãos – homens e mulheres.
A discussão deve começar pela questão dos efetivos. Esta questão tem sido recorrentemente ignorada pela generalidade dos Estados ocidentais, que depois de décadas em que reduziram substancialmente os seus efetivos, por acreditarem que as missões primordiais que teriam de cumprir já não passavam pelo seu envolvimento em guerras de alta intensidade, se vêm agora na contingência de terem de aumentar substancialmente os seus recursos militares. Com efeito, é também hoje claro para muitos, que os Estados europeus definiram os seus efetivos militares na premissa de que, na conjuntura estratégica então existente, necessitaríamos de sistemas de armas tecnologicamente evoluídos e, de um reduzido número de efetivos que possam fazer uso pleno das suas capacidades. Porém, as guerras mais recentes, especialmente a da Rússia-Ucrânia, vieram demonstrar aos europeus e à NATO, que novos sistemas, como os drones, introduziram alterações significativas no campo de batalha, mormente aumentando exponencialmente o número de baixas militares, mas também de vítimas civis inocentes. Ora, sem efetivos militares em quantidade adequada e devidamente aprontados, os Estados não estão preparados para os conflitos que se perspetivam nas próximas décadas, contados a partir de hoje e não da data em que possam vir a ser aumentados.
Em Portugal, pese embora o facto positivo de os governos ao longo dos últimos 2 anos terem conseguido estancar o elevado número de saídas de militares das fileiras, o problema está longe de se considerar........
