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A pobreza de espírito e o fim da confiança

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10.03.2026

Costumamos medir a riqueza das nações pela força das exportações ou pela saúde das contas públicas. É um erro de perspetiva. Em 2026, o que nos está a empobrecer de verdade é o desgaste silencioso da confiança. Olhamos para quem decide e para os edifícios que representam a autoridade e já não vemos ali um garante de justiça, mas um eco de um mundo que se está a desfazer. Esta pobreza não se resolve com subsídios; é uma falência de propósito, um sentimento de que o contrato que nos unia foi rasgado sem aviso.

O problema é que a política deixou de ser um plano para o futuro e passou a ser uma luta pela sobrevivência do dia a dia. Vivemos obcecados com a reação imediata, com a sondagem da próxima semana ou com o barulho da última polémica nas redes sociais. Nesta pressa, sacrificamos o amanhã. O que as elites não percebem é que as instituições são lentas por natureza, e quando tentam correr atrás do ritmo frenético do digital, acabam por perder a dignidade e a eficácia. O resultado é este: um sistema que gere danos em vez de abrir caminhos.

Sempre que surge uma crise, a nossa primeira reação tem sido fechar a porta e procurar culpados. É........

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