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Pais gentis, permissivos e obedientes

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07.01.2025

Birras, insolências e arrufos. Resmunguice, fúrias e manias. Conversas, explicações e toneladas de paciência. Tutoriais, posts e imensos influencers. A vida de alguns pais é um inferno. E é descrita, muitas vezes, desta forma. Tudo porque vivem cercados de opiniões de mães de primeira viagem que, muito rapidamente, se transformam em “experts” em psicologia positiva e em “parentalidade consciente”. Por técnicos de saúde mental que, mal se licenciam e fazem uma pós-graduação de três fins de semana, se apresentam como especialistas em parentalidade. E por coachs que, chegados das mais diversas profissões, usam os jargões do momento e lhes propõem técnicas, planos, soluções e programas. No meio de tantas opiniões “técnicas”, a parentalidade escorrega, muitas vezes, para o “já tentei tudo”. E deixa para trás o sexto sentido e a aprendizagem por ensaio e erro, trocadas por uma parentalidade assertiva. Sem erros! Mas com muita técnica. O mais desconcertante é que, em muitos momentos, no meio desta cascata de opiniões pouco razoáveis, a psicologia tem prestado um serviço muito assim-assim à maioria dos pais.

Regra geral, estes pais à beira dum ataque de nervos perdem-se, aos bocadinhos, começando, regra geral, por guias sobre a autoridade dos pais. Que, na maior partes das vezes, passou a ser vivida como um termo quase interdito. Talvez porque se tenha vindo a confundir autoritarismo com autoridade. E a presumir que a autoridade, na parentalidade, introduz uma atmosfera pouco democrática na relação entre os pais e os filhos. Que desconsidera a opinião, a autonomia e a felicidade das crianças. Daí que se tenha saltado para um território muito escorregadio que, a pretexto de coisas sensatas – como, por exemplo, o cuidado, a delicadeza ou a compreensão que todas as crianças merecem ter – tem vindo a encaminhar os pais de um extremo para o outro.

Dantes, era comum os pais afirmarem, com naturalidade, que as crianças não tinham querer. Dando a entender que a vontade delas, em confronto com a dos pais, sairia sempre a perder. Agora, entrou-se por uma atmosfera gentil e de cortesia em relação aos cuidados parentais, adequando-se os pais às opiniões, às vontades, às teimosias e, até, aos caprichos dos filhos. O que faz com que, quase sem darem por isso, muitos deles........

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