Aquilo que me interessa
Cada vez me interessa mais a escala de cada vida humana, o drama peculiar e particular de cada um, as forças que movem cada pessoa — e os seus tropeções, os soluços, os momentos de gaguez. Cada um no núcleo que o move, aquilo por que está disposto a dar a vida, o ódio e o amor no modo como se expressam nos movimentos singulares, os segredos da solidão, as pessoas diante dos seus espelhos privados, quando estão, ou julgam estar, sozinhas, os sonhos e aspirações sabotadas ou facilitadas pela liberdade pessoal ou pelo embate desta com a mecânica política, interessa-me cada um na sua espiral de surdez, a cegueira, a glória, a maldição, a esperança, enquanto expressões do carácter singular. Depois, interessam-me os pequenos círculos, em que cada um se move. Mais os amores viscerais e menos as lealdades extrínsecas, de que desconfio, interessa-me o modo como cada um ilude a percepção aguda da sua........
