Quanto custa ao cidadão europeu salvar o planeta
O meu último artigo, sobre o medo europeu do ar condicionado, deu origem a uma observação certeira nos comentários, deixada por um leitor que tenho em alta conta e que é também cronista desta casa. Notava ele que, em torno das questões ambientais, se instalou na Europa um clima de dramatização permanente, que muitas vezes conduz a mudanças de comportamento mais por pressão política do que por adaptação racional. É uma observação que merece um texto só para ela, e faço-o pelo ângulo que conheço, o dos números e do que eles custam a quem os paga.
Comecemos pelo sítio onde o português mais sente a factura do ambiente, a bomba de combustível. Quase metade do que se paga por um litro de gasolina em Portugal são impostos, cerca de 47%, e no gasóleo o peso ronda os 42%. Em cada litro de gasolina o condutor entrega ao Estado perto de 0,98 euros, o terceiro valor mais alto da União Europeia, bem acima da média comunitária de 0,81 euros. E dentro dessa carga há uma parcela com nome e sobrenome ambiental, o adicionamento sobre as emissões de CO2, criado pela reforma da fiscalidade verde de 2015, hoje em cerca de 0,159 euros por litro na gasolina, indexado ao preço das licenças de carbono e, por isso, condenado a subir. Não é um imposto qualquer, é um imposto desenhado para custar cada vez mais.
A bomba é apenas a face visível. Segundo o Eurostat, os impostos sobre o carbono na União passaram de 15 mil milhões de euros em 2017 para mais de........
