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Quando o Estado é sócio do agiota

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10.07.2026

O meu último artigo, sobre a diferença entre quem poupa e quem vive de prestação em prestação, deu origem a uma pergunta certeira nos comentários, deixada por um leitor que tenho em alta conta e que é também cronista desta casa. Perguntava ele o que sucede ao português médio quando as prestações começam a faltar e o crédito muda de mãos. É uma boa pergunta, e a resposta merece um texto só para ela.

Imagine o Joaquim. Existem milhares como ele. Comprou uma máquina de lavar a prestações, um crédito pequeno, umas centenas de euros, daqueles que se assinam no balcão da loja em três minutos e sem ler nada. Depois veio um mês mau, uma prestação falhada, outra a seguir. Nada de extraordinário, a vida de qualquer família que vive no fio.

E foi aí que o Joaquim descobriu uma coisa que não vinha no contrato. Descobriu que a sua dívida deixara de ser da loja, e deixara até de ser do banco. Fora vendida. Um dia recebeu uma carta de uma empresa de que nunca ouvira falar, muitas vezes com sede longe, a exigir o pagamento imediato e integral. Não a prestação em atraso, a totalidade. E começaram os telefonemas.

É esta a parte que o crédito ao consumo esconde, e é dela que quero falar, porque a taxa que se assina é apenas a montra. O que interessa é o que sucede a jusante, quando a prestação falha e o contrato muda de mãos.

Comecemos pelo número, que é sempre onde começa a verdade. Em Portugal, o Banco de Portugal fixa trimestralmente o tecto de cada crédito. Para o segundo trimestre de 2026, a TAEG máxima dos cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos foi fixada em 19%. Nos créditos pessoais sem finalidade........

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