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O silêncio, o vazio e o voto

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24.01.2026

A primeira volta das presidenciais já passou, mas o seu efeito mais relevante não está apenas nos números. Está nos silêncios, nos desconfortos e nas leituras apressadas que se fizeram logo a seguir. Antes de sabermos quem será Presidente, já percebemos outra coisa: o sistema político português entrou numa fase em que as pessoas contam mais do que as ideologias — e isso tem consequências.

A derrota pesada do candidato apoiado pelo PSD foi mais do que um mau resultado eleitoral. Foi um momento de exposição. O centro-direita percebeu, de forma abrupta, que já não dispõe de uma figura agregadora capaz de organizar expectativas, disciplinar eleitorados e dar sentido a uma escolha presidencial. A decisão de Luís Montenegro de não apoiar ninguém na segunda volta não é apenas prudência tática; é o reconhecimento tácito desse vazio.

A isto se junta o (compreensível) silêncio de Pedro Passos Coelho que pesa mais do que qualquer declaração. Não é um silêncio neutro. É o silêncio de quem percebe que já não existe um lugar óbvio para ocupar — nem um herdeiro evidente para apontar. Quando as........

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